Diagnóstico

O trabalho com a rede para a implantação do ensino remoto de emergência tem início  com a definição e o envolvimento do comitê gestor da Secretaria de Educação. A estrutura em cada localidade pode variar, mas é importante que os responsáveis por currículo, formação, comunicação e jurídico façam parte do grupo. Em uma primeira reunião ocorre, entre outros pontos, o alinhamento de objetivos e resultados esperados, a escolha da equipe a ser alocada para o projeto e a definição de ferramentas de acompanhamento.

 

Nesse momento, para que os líderes compreendam o projeto, é válido preparar uma apresentação que traga os possíveis passos e as possibilidades oferecidas. De acordo com as condições e o contexto de cada localidade, um caminho diferente pode ser traçado. Desde o início, todo o processo deve ser registrado. Isso pode ser feito, por exemplo, por meio da construção de uma ata, que vai sendo alimentada à medida que os trabalhos avançam. 

 

A importância de um diagnóstico precisa ficar clara para todos. Esse levantamento inicial é essencial para que a secretaria selecione os possíveis formatos de implementação do ensino remoto que vão permitir a continuidade do processo de ensino e aprendizagem. Há dois instrumentos básicos: um focado na secretaria e outro nas escolas.

 

Eles permitem levantar a estrutura tecnológica e logística da rede e compreender, por exemplo, o acesso dos estudantes à tecnologia ou as formas de comunicação entre escola e alunos. Devido ao pouco tempo disponível, os questionários são breves, mas podem servir de base para levantamentos mais detalhados, caso a rede prefira (leia caso inspirador).

 

Para que o mapeamento da rede tenha sucesso, a comunicação é fundamental. É necessário que os líderes envolvidos na implementação do projeto solicitem aos gestores de todas as escolas que respondam ao diagnóstico sobre a situação da unidade pela qual cada um deles é responsável, o que pode ser feito por e-mail ou pelo canal de comunicação que seja mais efetivo e habitual para todos os gestores. O monitoramento do processo, para que dúvidas sejam resolvidas e o prazo estipulado cumprido, é decisivo. Paralelamente, o responsável pelo projeto deve delegar a um membro da equipe a tarefa de responder ao questionário de diagnóstico da Secretaria. Isso também pode ser informado por e-mail

 

Assim que os dois diagnósticos são finalizados, é hora de sistematizar e analisar os dados obtidos. As informações precisam ser consolidadas numa apresentação para facilitar a divulgação do retrato da rede (veja um modelo em PowerPoint). Fazem parte dos resultados as possíveis estratégias de ensino remoto que devem integrar o plano de ação, descrito na próxima etapa.

Desenho do plano de ação

O desenho do plano de ação é o modelo que será implementado em conjunto com a rede, ou seja, as estratégias de ensino remoto adotadas.

Essas estratégias são sugeridas a partir das respostas dos gestores escolares, registradas nos formulários, dos estudos dos dados da rede como número de alunos, de escolas, ferramentas disponíveis, entre outros indicadores. Além disso, nessa etapa é feita a elaboração de uma passo a passo junto das redes parceiras.

Implementação

Plano de ação aprovado, é hora de todos trabalharem para que as atividades nele incluídas sejam colocadas em prática nos prazos determinados. A matriz do plano, que ganhou a cara da rede, torna-se, a partir desse momento, um instrumento de acompanhamento.

Um ponto-chave da implementação é o entendimento de que nenhuma estratégia de ensino remoto funciona sozinha para atender a todos os alunos; é preciso oferecer uma diversidade de estratégias de forma a abranger alunos com alta, baixa ou nenhuma conectividade. Para esses últimos, uma solução é a distribuição de material impresso (leia casos inspiradores). Nesse caso, é necessário pensar em uma infraestrutura analógica que inclui a curadoria dos materiais a serem impressos e a logística de entrega. Possíveis alternativas: retirada pela família na escola, juntamente com kit merenda, ou em pontos estratégicos da cidade; e entrega por meio de transporte escolar.

No caso de a Secretaria de Educação optar pelo atendimento dos alunos de forma on-line, é necessário escolher as ferramentas tecnológicas mais adequadas, de acordo com o cenário em que os estudantes vivem. As redes que dispõem de técnicos na área de tecnologia da informação podem pedir apoio a esses profissionais nessa ação.

As soluções variam de acordo com a plataforma escolhida para disponibilizar os conteúdos. Entre as ferramentas, o site ou o blog da secretaria, ou ainda o Google Classroom, como exemplos. Juntamente com os materiais produzidos pelos próprios professores da rede, a secretaria pode disponibilizar o site do Simplifica. Ali estão trilhas pedagógicas criadas por educadores, com conteúdos distribuídos em oito semanas, para turmas dos anos iniciais e finais do Ensino Fundamental. É possível usar as trilhas na íntegra ou fazer a curadoria para que sejam disponibilizadas à comunidade aquelas que se relacionem mais diretamente com o currículo em vigor. Outra opção é enviar aos alunos com baixa conectividade o conteúdo curado em formato PDF, pelo aplicativo WhatsApp.

Se a solução for a transmissão por TV, é preciso, entre outros pontos, negociar a veiculação por algum canal aberto. O Vamos aprender oferece uma série de vídeos para apoiar a rede que necessitam apenas de curadoria e da criação de uma grade de programação mais significativa para seu público. Outro recurso que pode ser utilizado são videoaulas, como as disponíveis no YouTube Edu, para os anos finais do Ensino Fundamental e para o Médio.

O AprendiZap é outra estratégia à disposição, para alunos do 6º ao 9º ano, com conteúdos e exercícios enviados por WhatsApp. Existem ainda recursos específicos para a fase de alfabetização, como o Luz do Saber. Esse site contém atividades e jogos que visam ao desenvolvimento de estudantes dos anos iniciais do Ensino Fundamental, nos processos de oralidade, leitura e escrita. 

A rede pode ainda se valer do Aprendendo Sempre, uma plataforma de curadoria de conteúdos e soluções gratuitas que facilita o trabalho docente. Estão ali incluídas ferramentas, orientações e atividades formativas. Vale lembrar que iniciativas dos próprios professores, que estejam, por exemplo, apresentadas em canais do YouTube, podem ser agregadas aos materiais a ser disponibilizados aos estudantes. É sempre bom incentivar e valorizar a autoria dos educadores.

Paralelo a isso, todo o trabalho relativo à comunicação com a comunidade escolar sobre o projeto deve estar ocorrendo. Diretores, professores e familiares precisam ser informados sobre os conteúdos que vão chegar aos estudantes e a forma como isso vai ocorrer. Essas mensagens podem ser enviadas por e-mail ou por redes sociais, como o WhatsApp e o Facebook.

Medida bastante efetiva para o engajamento de todos os envolvidos é a produção de um vídeo pelo próprio secretário de Educação apresentando o projeto e solicitando o engajamento da comunidade. Durante toda a realização do trabalho, os líderes não podem se esquecer da importância de documentar os passos do projeto e registrar aprendizados, pontos críticos, intervenções realizadas e boas práticas.

Outra frente essencial para o sucesso do ensino remoto de emergência é a formação dos professores e dos familiares e alunos, que também precisam aprender como vai ser o estudo em casa. Esse é o tema da próxima etapa, descrita a seguir.

Formação

Todas as estratégias referentes ao ensino remoto, incluídas no desenho do plano de ação e colocadas em prática na fase de implementação, precisam ser previstas em formação para gestores e professores. Alunos e seus familiares também devem aprender como estudar dessa nova maneira. A preparação da comunidade escolar é essencial para o sucesso do ensino remoto de emergência.

No caso do Simplifica em Rede, o programa prevê uma trilha formativa de cinco webinars para que professores e gestores sintam-se seguros para enfrentar esse desafio. O passo inicial dessa trilha traz uma contextualização do momento, em que os educadores se veem com essa tarefa para a qual não estavam aptos. É o webinar  Como se preparar para o ensino remoto de emergência.

O segundo webinar tem o objetivo de abordar estratégias para o engajamento de pais e responsáveis: Como apoiar as famílias na rotina pedagógica do ensino remoto de emergência. O terceiro trata de algumas ferramentas à disposição dos professores para o trabalho a distância com os alunos: Ferramentas digitais interativas: Como potencializar o ensino remoto de emergência.

O quarto webinar traz os autores das trilhas Simplifica para contar sobre as metodologias usadas, a literatura consultada e construção do material. É a Roda Viva Simplifica: Respondendo às suas dúvidas sobre a plataforma. O último webinar ajuda os educadores a se preparar para acompanhar a aprendizagem no ensino remoto de emergência, incluindo, por exemplo, formas de se comunicar com os alunos: O que é necessário considerar para acompanhar a aprendizagem no ensino remoto de emergência.

A preparação dos professores para usar as ferramentas escolhidas pela rede pode ser feita por meio de tutoriais. No caso das trilhas do Simplifica, estão disponíveis dois: um que ensina a fazer o cadastro e outro que mostra como acessar os conteúdos. Formações específicas também são preparadas, em modelos que propõem inclusive tarefas a serem realizadas pelos docentes dentro da estratégia Sala de Aula Invertida (leia caso inspirador).

O programa Simplifica em Rede complementou essa formação promovendo rodas de conversa com especialistas, voltadas prioritariamente às equipes das secretarias. A primeira delas tratou de dois temas: centro de mídias, essencial para as redes que querem utilizar a TV para fazer chegar os conteúdos aos estudantes; e dados patrocinados, estratégia que possibilita a alunos que não têm internet em casa acessar as atividades disponibilizadas pela rede sem gastar seus dados móveis. O evento possibilitou às redes trocarem experiências (veja infográficos focando o centro de mídia e os dados patrocinados, em que os aprendizados foram sistematizados).

Uma segunda roda de conversa abordou estudos e normativas que permeiam o processo de volta às aulas presenciais. Entre os pontos abordados estão formas de organizar horários e turmas, medidas de segurança a serem adotadas e possibilidades de computar as horas de ensino remoto na carga horária de professores e de alunos (leia a sistematização dessas informações).

As redes podem promover formações também no contexto local, se valendo, por exemplo, da metodologia roda de conversa. É interessante chamar especialistas para trocar experiências com os docentes sobre as questões que mais os afetam nesse cenário. Outro foco é a capacitação para o uso de ferramentas úteis nesses tempos de isolamento, como as que permitem realizar reuniões on-line – por exemplo, Zoom e Google Meet – e registros, como o mural eletrônico Padlet. 

Vale lembrar que o planejamento de todas as formações deve prever a ampla divulgação para que os professores efetivamente participem. Assim, a probabilidade de que o ensino remoto seja realmente efetivo se amplia. O alcance da estratégia deve ser verificado durante o monitoramento, descrito a seguir.

Monitoramento

Análise de dados sobre o andamento e resultado da prática, de forma que seja possível abordar ações para garantir o maior número de alunos e a melhor execução do plano.

Com o monitoramento é possível realizar levantamento de dados via formulário e acompanhamento das metas de indicadores do ensino remoto.